25/01/2011

Liberação de recursos para construção deve aumentar em até 50% em 2011

O Banco Central pretende dar cada vez mais estímulos ao mercado este ano, por isso a tendência é que a concessão de crédito imobiliário também aumente.

A previsão, segundo o presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Luiz Antonio França, é de que a liberação de recursos para a casa própria cresça entre 40% e 50% em 2011. Caso as estimativas se confirmem, somados os recursos da caderneta de poupança (R$ 82,5 bilhões) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (R$ 23 bilhões), será liberada a quantia recorde de R$ 105,5 bilhões, o suficiente para a compra de 1,2 milhão de imóveis novos e usados.

Na avaliação do novo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, será muito saudável para o sistema financeiro ampliar os recursos para o crédito imobiliário, de mais longo prazo menos arriscado e com impacto menor sobre a inflação.
Nos últimos anos, destacou Tombini, o crédito total, que chegou a 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, foi puxado pelo consumo. Mas, diante do recrudescimento da inflação e do excesso de demanda, foi preciso que o BC agisse para frear o endividamento de curto prazo dos brasileiros, reduzindo, ao mesmo tempo, as pressões sobre os preços e os riscos dos bancos, que podiam ser engolfados por uma bolha semelhante à que explodiu em 2008 nos Estados Unidos e levou o mundo à recessão.

Para induzir à mudança no perfil de crédito do sistema bancário, em dezembro, o BC retirou R$ 61 bilhões do caixa das instituições por meio dos chamados depósitos compulsórios. Além disso, passou a exigir mais capital dos bancos para assegurar empréstimos e financiamentos de bens de consumo, especialmente automóveis. Já para a casa própria, nada mudou. E a tendência é de que, nas próximas semanas, o governo dê novos incentivos ao crédito imobiliário.

Alternativas

Segundo o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, um dos estímulos poderá ser a mudança na vinculação dos recursos captados por meio da caderneta de poupança. Hoje, obrigatoriamente, no mínimo 65% dos depósitos têm de ir para o financiamento da casa própria, o que cria uma série de distorções no mercado. Barbosa destacou, ainda, que será preciso criar alternativas de financiamento à casa própria, pois a capacidade de liberação de recursos da caderneta tenderá a se esgotar até o fim de 2012.

No entender da presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, encontrar fontes alternativas à poupança para o crédito imobiliário é vital, sobretudo porque é a tradicional aplicação que garante o acesso da classe média à casa própria."Mas, na minha opinião, a caderneta continuará sendo a principal financiadora de imóveis do país. O FGTS terá um papel mais social, atendendo à população de mais baixa renda (até 10 salários mínimos)", afirmou.

FONTE: SECOVI-DF

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